8.12.09

Tender is the night




Tender is...









Tender is the day

6.12.09

E o paraíso ali tão perto





Na noite do histórico Sá da Bandeira, com o interior a fazer lembrar os corredores e salas de um velho paquete de luxo, Patrick Watson, o timoneiro, liderou a mais bela das viagens por mares nunca antes navegados. Depois da tempestade vem a bonança, é o que qualquer tripulação ousa pensar durante o seu caminho. Mas nesta viagem, por incrível que possa parecer, a própria tempestade já era a bonança. Quanto mais as nuvens carregadas, os relâmpagos e as ondas gigantes se aproximavam, mais perto ficava o paraíso. Ao nosso lado navegavam também traineiras, todas com o mesmo intuito, igual ao do nosso paquete: Levar os seus tripulantes ao paraíso. Lá em baixo, eram visíveis em rochedos, sereias de cabelos ao vento que acenavam e que nos piscavam o olho como que a querer dizer que o fim estava muito próximo. E estava mesmo. Não chegamos a atingir o paraíso, mas estivemos muito perto, mas mesmo muito perto de o conseguir. O nosso sonho acabou ali, perdido no meio do mar. Ancorado e abrigado no meio da tempestade. No meio da bonança. Foi então que rodei o meu cachecol encharcado em volta do pescoço e em jeito de despedida disse-lhe, ao mesmo tempo que o ajudava a reacender o cigarro: Bravo. Até sempre, Comandante Watson.






sweet oh luscious life
celebrate your dreams when you are away



Calling Patrick Watson

30.11.09

Noiserv, os passarinhos e a tempestade lá fora






Era uma vez... Lá dentro, desenhos numa tela gigante, de passarinhos pendurados em estendais sem roupa. Lá fora, chuva, chuva e mais chuva. Daquela chuva verdadeira. Lá dentro, continuavam os desenhos, de passarinhos que desta vez já voavam e de um sol envergonhado que espreitava por entre nuvens como que a querer gozar com o tempo que andava lá fora. Lá fora, um enorme trovão que fez estremecer o pequeno auditório do Passos Manuel. Daqueles trovões verdadeiros. Lá dentro, sentiu-se, como é óbvio, o estremecer da plateia. O telhado da casinha de uma porta e duas janelas que acabava de ser traçado ficou torto e o rapaz que estava no palco pareceu não se importar de acrescentar um novo som a uma das suas melodias. Esse rapaz é David Santos, esse rapaz é Noiserv, o rapaz que brinca com a música para nos dar música de brincar. Enquanto na tela os passarinhos se entretinham a ziguezaguear trovões (daqueles trovões que só vistos mesmo em desenhos), no palco ouvia-se o som de uma caixa de música de brincar, de uma guitarra, de uma melódica, de um metalofone, de um órgão, de um megafone e até de uma simples máquina fotográfica a rebobinar. E ouvia-se ainda falar, por exemplo, daqueles chupa-chupas antigos agarrados a pífaros que compravamos na mercearia lá da rua. Lá fora, uma tempestade dos diabos e eu lá dentro com vontade de escrever na tela: Fabuloso, David. Tenho a certeza que estes passarinhos vão viver felizes para sempre.







Calling
Noiserv

23.11.09

But blue skies are calling...



21.11.09

Solução: Anos 80





Para dar início a este puzzle musical começo por colocar uma peça dos Echo & Bunnymen. A seguir, avança uma dos Joy Division e outra dos The Smiths. Aleatoriamente, entra uma peça dos The Triffids e depois uma mais pequena dos The Cure e ainda uma dos Pet Shop Boys...
O puzzle ainda não está completo mas eu já descodifiquei a solução. Tudo isto junto, como que por magia, faz surgir a gloriosa expressão Anos 80. Este puzzle é da autoria dos The Mary Onettes, quarteto indie pop-rock sueco formado em 2000, que lançou há pouco tempo o seu segundo longa-duração, intitulado Islands. Ao percorrer este álbum, que já tem lugar garantido nos meus dez melhores do ano, ouço também um pouco de todas aquelas bandas que atrás mencionei. E por isso, estou perante um grande disco. Vivam os anos 80.
Deixo-vos com o vídeo de Puzzles, a magnífica faixa de abertura.





Calling The Mary Onettes

19.11.09

Se esta secretária fosse minha...





A ideia partiu da National Public Radio. Desde Abril do ano passado que vários artistas musicais foram convidados a ocuparem as mesas de trabalho dos próprios escritórios da NPR, para darem pequenos concertos. De Bill Callahan a Shearwater passando por John Vanderslice e The Swell Season, até Tom Jones. São os Tiny Desk Concerts. Porque hoje não me apetece ficar sentado à secretária, escolhi a pequena comemoração de Edward Sharpe & The Magnetic Zeros, com Janglin, Home e 40 Day Dream a comporem o alinhamento.





Calling Tiny Desk Concerts

17.11.09

O fumo negro que é branco




Fumo branco. Eles estão de volta, eles são os Tindersticks e esta frase que eu vou escrever a seguir só podia soar a Tindersticks: Depois do coração serrado da magnífica capa do último álbum, agora parece haver algo a cair de uma montanha, no meio de um belo jogo de cores. Ainda não dá para saber ao certo do que se trata, mas já é certo que Falling Down A Mountain marca o regresso da banda de Nottingham, agendado para o próximo dia 25 de Janeiro. Um regresso que eu saúdo vivamente. Para já, da primeira baforada do cigarro de Stuart Staples sai Black Smoke, que já rola aqui no Portus Calling.


Calling Black Smoke